Um ano de caminho (2)

Dia 3 – Pontevedra ➡ Caldas de Reis

Mais um dia em que o ritual de acordar cedo se manteve. Logo ao romper da manhã tomámos o pequeno almoço no café da estação e iniciámos a marcha. Hoje o dia ia ser curto, apenas nos separavam 22km de Caldas de Reis.

O início foi agradável, atravessámos toda a cidade e entrámos num bosque lindíssimo de carvalhos, que compunha a nossa maior subida até cerca dos 10kms de percurso. No topo, fizemos uma paragem para um mata-bicho e um sello. A descida que se seguiu levou-nos até à planície que nos acompanharia até ao final desta etapa. Os últimos quilómetros foram feitos por entre os famosos vinhedos que ladeiam a estrada 550 até Caldas de Reis.

Chegados a Caldas ainda o albergue estava fechado, pois chegámos antes das 13h, se bem que já alguns dos nossos companheiros de caminho esperavam pela sua abertura. O resto do dia foi passado em visita pela vila, descobrindo os seus pontos de interesse com algum Geocaching à mistura. Foi um dia agradável, que amanheceu com nuvens e que se manteve assim até final.

Dia 4 – Caldas de Reis ➡ Teo

Esta foi a nossa etapa mais longa, onde pensávamos que íamos fazer 29km, mas, na realidade, acabámos por fazer mais alguns, foi também a que mais temíamos em relação a um lugar no albergue.

Mais uma vez o despertador tocou às 6:30. Fomos até ao café do Carlos, um amigo que fizemos no dia anterior, para tomar o pequeno almoço e seguimos caminho. O dia prometia!
O início do caminho desenrolava-se até à zona do albergue de Valga junto de um ribeiro, onde o verde predominava, tornando muito agradável a manhã. Parámos alguns minutos após este trilho para trincar alguma coisa e restaurar forças antes de iniciarmos o percurso até Pontecesures. Este pedaço do percurso já teve mais asfalto pelo que não foi tão bonito. De Pontecesures até Padrão foi um tirinho, e pelas 12h15 já procurávamos um sítio para almoçar, é que daqui até Teo ainda havia alguns quilómetros a vencer.

O almoço soube bem, mas não havia tempo a perder, pois ainda precisávamos de fazer umas compras na cidade. Mas não deixámos Padrão para trás sem antes visitar a igreja onde se encontra o ancoradouro da barca que trouxe os restos mortais de S. Tiago até Compostela.

O restante percurso até ao albergue foi sem dúvida o mais penoso do caminho, pois é quase todo feito pela estrada 550, tirando um ou outro troço. E pelas 16:20 chegávamos ao albergue, contudo, os nossos piores receios confirmaram-se: na porta um papel dizia FULL / COMPLETO. Que porcaria!
No entanto, na preparação do caminho, assinalámos algumas opções para o caso de uma coisa destas acontecer. Uma delas a cerca de 400m do albergue, mas ainda “trememos” quando a nossa amiga Beatriz nos disse que tinha de ver se tinha lugar para nós. Felizmente tinha!

Dia 5 – Teo ➡ Santiago de Compostela

Depois de uma noite retemperadora, faltavam-nos apenas os últimos 14km até chegarmos à Praça do Obradoiro. Saímos à hora do costume, depois de tomarmos o pequeno almoço no albergue.

A cada passo que dávamos a nossa felicidade aumentava, pois estávamos cada vez mais perto do nosso objetivo. O caminho passava pelas últimas vezes as florestas e bosques de carvalhos, em breve, iria dar lugar ao alcatrão, aos carros e às casas. Esta parte era maioritariamente a subir.

Mas antes disso, ainda sentimos alguma insegurança nas marcações do caminho, pois, a norma tinha mudado…mas mais peregrinos seguiam connosco, e eram mesmo as verdadeiras. Já na cidade, mesmo antes de chegarmos à praça ainda houve tempo para um último sello na capela do Pilar. Pisámos a praça do Obradoiro pelas 11:20, 118km depois de termos começarmos. Tínhamos feito o caminho!

Daqui em diante o plano passou por ir, às 12h, à missa do peregrino, onde tivemos o privilégio de assistir ao ritual do botafumeiro, visitámos a cripta onde se encontram os restos mortais e demos um abraço a três ao apóstolo, agradecendo este primeiro ano.

Almoçamos num restaurante e depois fomos buscar a nossa compostela à Oficina de Acolhimento do Peregrino. Passeámos durante o resto do dia e regressámos no dia seguinte, de autocarro, a Lisboa, felizes e de coração cheio. Valeu muito a pena!

Queremos agradecer a todos quantos partilharam connosco este primeiro ano de matrimónio. Estiveram connosco nesta caminhada com os pés e com o coração. Um agradecimento ao nosso amigo Nuno que nos fez pensar com o coração. 🙂

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